terça-feira, 25 de outubro de 2011

Amaramente

 Eram dois irmãos: João e José.Certo dia de 17 de outubro de 1961 nasce o primeiro, o segundo veio em meados do outono de 63.Saíram-se muito bem nos respectivos partos; João não aperriou muito, fez-se de zangado no começo mas logo depois foi abrindo o berreiro e acalantando a todos, ria-se como numa mesa de bar rodeado de amigos, no entanto estava numa sala fúnebre, sem muito ar ou felicidade.O de José, apesar de não muito distante da realidade, foi consideravelmente melhor; mas do ponto de vista concreto, pois Zezinho não gostava muito amizades alcoólicas, alucinantes ou  inebriantes; na verdade ele só tinha a João.... que tinha a todos... que tinham João, que talvez tivesse José, mas ainda não se sabe...ainda é 22 de maio de 63. E apesar de ter um nascido meio grande e desengonçado, Zé nasce com um sorriso de amarelo-mel na face e um cabelo dividido na meiota, como se estivesse apressado pra ir ao colégio, mas ele tinha acabado de nascer e o que quer de felicidade que ele quisesse passar não conseguia, ele sempre foi assim.
 João sempre foi da gandaia, beber era seu grande ofício, namorar sua maior profissão e, de vez em quando, por hobby, resolvia advogar pra patrocinar a pinga.Aos 18 anos conheceu uma menina, por quem se apaixonou e resolveu que queria casar; isso foi bem mais pra frente.Rejeitado em primeira estância sofreu muito, teve ao seu lado o irmão bastardo de amor incondicional, um ombro amigo, não não; um ombro irmão; porque são ombros diferentes, o ombro irmão sustenta o braço direito do destro, o esquerdo do canhoto, é aquele que articula o fazer do tendão sentimental principal; o ombro amigo não é como o ombro oposto, mas é como uma tipoia, dá sustento as articulações fraquejadas e fraturadas.
 José sempre foi dos estudos, nunca tirou uma nota abaixo da média no colégio sequer.Aos 14 anos resolveu que queria ser padre, entrou no seminário, saiu do seminário; não aguentou o claustro de uma vida ainda mais sofrida, e já tão maduro, aos 24 anos, traiu o irmão.Consolou o pobre do bêbado da cidade de Niterói, não? Não, esse bêbado era um bastardo, José não o tinha como da família; segundo ele resolveu ajudar este pobre que se encontrava jogado pelas ruas, e que demitido e deserdado, não tinha mais esperanças na vida e no amor, estava tudo oco por ali...foi como disse Rafaela...tudo oco por ali... ainda disse: "Seu coração tá vazio, ta tudo oco por ai, vá à cachaçaria e mande seu Derpino encher isso de álcool pra ver se melhora..."
  Irmão mais novo, cheio de gás, após 8 anos de relacionamento cunhada-cunhado, Zé se mostrava homem maduro, era médico...não por acaso possuia tanto dinheiro nessa idade...Na verdade, segundo ele, foi uma troca bem justa feita com o bêbado de Niterói, 20 anos de negligencia por uma mulher que ele julgou ser a sua amada, de um amor escondido; e que o irmão amou durante anos, mas hoje ele voltara a ser o velho John, das grandes bebedeiras, só queria sexo.Certo dia, após sair para mais um dia de trabalho, com o bêbado acolhido em casa, Zé resolve voltar mais cedo, e encontra Rafaela interesseiramente com João na cama. Caso de família que resultou em dois assassinatos e um suicídio.Não resultou em nenhum descendente, esse amor...a vantagem é que ficou tudo em família, como D. Maria, a mãe, costumava dizer.

 MORAL DA HISTÓRIA: O amor não é para amadores.

Nenhum comentário:

Postar um comentário